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Tuesday, March 07, 2006

Unanimidades e discordâncias

Bem, nessa altura todo mundo sabe que a unanimidade é burra, mas apenas a uns poucos ocorreu que não necessariamente a discordância é inteligente...

Recém voltei duma reunião na escola das crianças, uma sobre alfabetização.
Minha mais velha está alfabetizada e começa já a aprender uma segunda língua, vai bem, tudo mais.

Mas, em vista da polêmica - não muito bem explicada, diga-se - entre as escolas ditas construtivistas e um grupo de educadores e teóricos autodenominados fônicos, não resisti e, durante a reunião, perguntei qual a posição da escola quanto à polêmica.

Muito simpática, a coordenadora tregiversou e, após alguns volteios assumiu uma postura claramente defensiva. Trocou fônico por fonético, afirmou que a escola não adota o método construtivista, mas sim um próprio, elaborado antes da moda... Evitei o debate por receio de terminar afônico mas, ainda assim, tenho que relatar alguns enganos e, por que não, mistificações que são cada vez mais comuns.

A primeira e a que mais me chocou foi a comparação entre um texto dum aluno de pré-primário de escola pública, esquemático, certamente, e um texto constituido praticamente por vogais. Ao "ler" o texto escrito quase que só com vogais, a educadora "relatou" a história que o aluno falava enquanto arriscava escrever. Claro que a transcrição do relato quase poético deste segundo aluno nos soou muito mais livre, emocionante e criativa, do que aquele texto esquemático e precário do primeiro aluno.

Ora, ao se iniciar a alfabetização, é evidente que a maioria das crianças já traz uma grande experiência oral, articulada, poética às vezes. Pretender que haja algum grau de domínio da escrita num texto que, obviamente, exige uma "transcrição" por parte da professora é um pouco demais para meu ralo senso comum.

Não me perturba tanto assim que meus filhos sejam sujeitos a este ou aquele método, pois estão imersos em uma comunidade de colegas, familiares e conhecidos plenamente alfabetizados, num segmento do mundo moldado por sinais, símbolos, palavras e textos e, sendo assim, são alfabetizados inatos.

Mas a falta de discernimento de educadores, sua dificuldade de separar o pensamento mágico e mesmo a mistificação barata de processos claramente estabelecidos, enfim, a mera falta de discernimento me parece um despropósito quando se trata da educação daqueles q quem falta essa "imersão" na sopa de letrinhas.