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Tuesday, March 29, 2005

edifício, artista e modelo







do filme Das Kabinett des Doktor Caligari (1919) de Robert Wiene


Da série notas arquitetônicas sem palavras.

desurbanismo

Duas em uma.
1. Em ilhabela, um prefeito de quem, sinceramente, não sei o partido nem o nome, recentemente foi entrevistado pela rádio Eldorado a respeito do mapeamento digital das áreas remanescentes de mata atlântica, da qual Ilhabela é uma das maiores reservas preservadas.
Curioso é que o cidadão é um dos donos de imobiliárias que têm expandido sua atuação para as fraldas da mesma mata... Alguém brifou erradamente a repórter, ou eu não percebi qualquer tom irônico na matéria...

2. Ainda em Ilhabela, outra de nossas pluvial cities, as vinte e quatro horas de chuvas ininterruptas criaram alagamentos impressionantes.
Esses alagamentos decorrem da ocupação desordenada de morros.
Apesar dalgumas intervenções urbanísticas - maquilagens, acho eu - recentes, Ilhabela ainda sofre com alguns probleminhas simples. Dentre eles, o abandono completo de qualquer programa de restauro e preservação de construções coloniais, o excesso absurdo de carros em feriados e finais de semana, a falta de calçadas pedestres em maior parte das vias - urbanas e ao longo da costeira e praias.
Além desses, temos a progressiva ocupação por quiosques de áreas nas praias e a famosa cadeirização do espaço das mesmas. Cadeiras e mais cadeiras e, agora também, mesas.

Não sei se alguém se lembra de Cabo Frio e das extensas praias entre Cabo Frio e Búzios. Recentemente passei por lá e há Kilometros de praias completamente fechadas pela linha contínua de barracas... Mesmo em Búzios ( outro caso de completo descaso urbanístico, à mostra nos kilômetros de periferia que antecedem a chegada à vila no ístimo ), mais praias estão fechadas pela fileira de barracas.
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Sei não. Algo me diz que farofa na praia é um bocado mais ameno e, portanto, civilizado, do que a tomada dos espaços públicos por comerciantes.
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É, de certa forma, uma paulistanização dos espaços públicos. Camelôs legais e ilegais, bancas de jornal invadindo quase o total da largura das calçadas, portões com estranhas projeções para acomodar o comprimento extra de carros...

Só pra concluir. Como podemos, num país com sei lá quantos milhões de metros quadrados, restringirmos de tal maneira a proporção de espaços públicos: não só praças, mas calçadas, largura das ruas e o que mais ?

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Tô zangado, hoje.
Happy Hour urgente!

arquitetura e urbanismo

E todos nós estudamos a carta de atenas.
Numa disciplina que cursei na pós, o tema era e não podia mesmo deixar de ser a Faria Lima.
Estudamos os CEPACs, o adensamento previsto, e desejado, no trecho da nova Faria Lima, os impactos no trânsito, os modelos de ocupação do solo e a influencia que o desenho dos edifícios teria sobre a cidade.
Ora, ora, muitas das equipes propuseram modelos derivados diretamente da carta de atenas: edifícios sobre pilotis, um após o outro. A única imagem que consegui formar, uma vez que ninguém produziu perspectivas desses projetos, foi a de um reflorestamento de eucaliptos ou pinus... pilotis e mais pilotis a perder de vista.
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Na mesma ocasião, pensávamos sobre os túneis que, em face do não abandono dos carros como meio de transporte, seriam necessários. Todos os que penssaram em túneis os propuseram na própria Faria Lima, e não na Rebouças ou Cidade Jardim.
O motivo ? Sendo a Faria Lima bem mais larga que as que a cruzam, os túneis seriam mais largos e, ainda assim, pouco interfeririam com as pistas em nivel, não provocariam reduções nas calçadas pedestres, etc, etc..
Parece que o raciocínio básico de nossos colegas na prefeitura anterior era que o túnel deveria servir diretamente à via mais saturada, embora o desenho resultante, cheio de chicanes, desvios, apertos e desníveis apenas provoque mais lentidão do que anteriormente.
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Não. Não discordo da importancia de corredores para transporte público nem de algumas das contribuições da carta de atenas para a reflexão sobre como pensamos nossas cidades.
Só acho que a imposição de cartilhas reflete a pequena disposição de nossos colegas a aprofundar e detalhar soluções.
Como uma das críticas mais comuns a ideias urbanas tem sido a sua pontualidade, criou-se uma terrível regra de que não interessam soluções pontuais. Muito pelo contrário, só interessam soluções pontuais, adequadas especificamente a cada uma das inúmeras situações.
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Vamos continuar a insistir em modelos pensados para magníficos sitios planos numa cidade cuja topografia é das mais acidentadas ?